sexta-feira, 20 de maio de 2011
Homos Pobriens
Autora: Thyare Santana
Ô, seu moço, eu não sou animal,
Mas vivo como tal
E o senhor finge não ver.
Vivo nas ruas a esmolar
para do pouco tirar
O meu de comer.
Ô, seu moço, tem compaixão,
também somos irmãos
por parte do Nosso Senhor
Dá-me um pouco do que te resta,
Aquela roupa que não presta
ou um velho cobertor.
Seu moço, vou te contar minha vida,
Triste, dura, sofrida,
só eu sei o que passei.
Minha mais velha veio sem planos
e com apenas treze anos
me casei com o Valdiney.
Ô, seu moço, tenha um pouco de dó,
Meus filhos estão na pior,
nossa vida é um horror.
Pois pobre é bicho sem nome
e por causa da fome
meu rebento se matou.
Minha luzia trabalha desde os seis
dando duro para vocês
da classe superior.
Meu caçula vive a sonhar
Diz que ainda vai se estudar
para se formar doutor.
A mais velha se chamava Alícia,
morreu num tiroteio com a polícia
por causa de uma paixão.
Com quinze se tornou amante
do Zé Granada, o traficante
que comandava a região.
O Valdiney se enterrou na cachaça
e ele ainda acha
que é dono de mim.
Chegava em casa fedendo a gambá
E eu sempre tendo que apanhar
por não aceitar viver assim.
Eu tenho feito de tudo,
mas como eu não tenho estudo
ninguém quer me empregar.
Já cozinhei, lavei, montei venda,
mas ela não me dava renda
e eu tive que entregar.
Hoje, seu moço, vivo na rua
Esperando uma bondade sua
para viver com meus rebentos.
Triste sina, esta minha!
Vida dura e mesquinha,
plantada na dor e no tormento.
Sonho um dia, seu moço,
onde todos viveremos no gozo,
se tratando de igual para igual.
Abra um pouco sua mente...
Seu moço, pobre também é gente.
Mas o senhor só vê como animal...
Assinar:
Postar comentários (Atom)



Nenhum comentário:
Postar um comentário