sexta-feira, 30 de julho de 2010

Espaço dos Sonhos

Autora: Thyare Santana

Minh'alma,
liberta, nua,
despida de preconceitos
e dos receios
paira, flutua
tão leve, tão calma,
pelo firmamento,
pelo céu azul.
Procurando a metade
que é sua,
que és tu.
Minh'alma branca
suave, branda,
ao ver-te canta,
pois achou a razão
de sua inspiração.
Encontra-te nas estrelas,
nos espaços do além.
Onde residem os sonhos
sejam alegres
ou tristonhos.
E você está lá, meu bem
E minh'alma está lá
tambem.
Para encontrar-se com a tua,
Também limpa e nua
e construir assim
um amor sem fim...

Poema Lúgubre

Autora: Thyare Santana

A Morte, fria e companheira,
com o zelo de uma amiga
afaga minha fronte sofrida
com irreparável ardor.
Esperando o momento
em que eu não vou resistir.
E tal choro, tal tormento,
Tão forte
que me faça sucumbir.
Ah, Morte, ah paz...
Alegria que a vida não traz,
tão fria e tão azul.
Se sei quem és tu,
é porque te fazes presente,
te fazes sentida.
E por mais que eu me atormente,
Ah, Morte, és parte de minha vida.
Me abrace amanhã de manhã...
Adeus, vida vã!
Eu vou com a Morte irmã
fechar meu corpo para sorrir.
E se um dia te lembrares de mim,
ó vida amarga e ruim,
não recordes a tristeza
dos dias sem beleza
que passei por aqui.

domingo, 27 de junho de 2010

Parceiros

Autora: Thyare Santana

Seu cheiro, seu corpo, sua voz...
O néctar de tua boca macia
Despertam-me vontades, loucas fantasias
Que brotam das entranhas do meu ser.

Eu e você... nós dois a sós
Ébrios de loucura e amor,
Sem receios, vergonha ou pudor
Atingindo o clímax do prazer

Buscando um no outro a satisfação.
Maculados por insanidades e tesão...
Expressa a vontade em ardentes beijos.

Brota em nós algo meio animal,
A eterna busca, valiosa e banal
de consegurmos sanar nossos desejos

A Lua

Autora: Thyare Santana

Hoje, a lua cheia pairava no céu
dizendo-me coisas de amor.
Falava-me de poesia com o seu brilhar,
Doces versos em seu prateado véu.
Dizia-me do encanto e da dor
em que consiste o ato de amar.
Foram momentos de embriaguez
e de pura magia...
Pairei pelas estrelas
procurando-te talvez...
Talvez você estivesse entre elas.
Viajando em um mundo de nostalgia
Tomei-te em meu corpo só mais uma vez.
Hoje, Conversei com a lua sobre coisas belas

Interrrogativa

Autora: Thyare Santana

Quem és tu, menino insolente,
Que teima em abrigar-se no corpo meu
dando-me um pouco do que é teu
em momentos de atos indecentes?
Quem és tu, anjo-demônio,
enchendo-me de gozo e pecado?
Unindo-se ao meu corpo, momento sagrado
na insensatez do suposto matrimônio.
Me diz quem és tu
que sempre faz o que meu corpo quer
Preenchendo minha porção mulher
quando me entrego ao teu corpo nu.
Só me diz quem és, homem libidinoso...
O que queres de mim fazer?
Queres amor, ou apenas prazer?
Queres minh'alma, ou somente o gozo?

Adormecido

Autora: Thyare Santana

De dentro de mim
tento extrair versos
Olho a cor da natureza
buscando poemas submersos.
Mas... se não tenho
a luz dos olhos teus,
como ter inspiração?
Como arrancar do coração
A chama das palavras belas?
Tu és, meu bem,
a materialização
da beleza etérea.

terça-feira, 25 de maio de 2010

Malu

Autora: Thyare Santana

A vida dela era muito monótona. Casa, trabalho, faculdade... Saía de vez em quando, mas não se pode dizer que ela tinha uma vida social. Não tinha namorado. Os amigos que tinha, podiam-se contar nos dedos da sua mão esquerda. Ou da direita, tanto faz. Tinha muitos conhecidos, mas eram daqueles tipos que só serviam para ocupar a memória de seu telefone, mas que nunca ligavam para ela. Seu celular tinha como principal função marcar as horas e servir de vídeo game enquanto Malu estava no ônibus. Embora não parecesse ela não era feliz. Sempre brincalhona, escondia por trás de seu sorriso sempre amplo um coração amargurado, cheio de tristezas. A única coisa que realmente lhe dava alegria eram os momentos em que sonhava. Quando ficava pensando como seria a sua vida daqui a 5, 10 anos. Malu lutava muito para que tudo aquilo que planejava um dia fossem realidade.
Aquele dia tinha tudo para ser tão normal como os outros... Era uma sexta feira e ela sairia da faculdade direto para a sua casa. Ficaria horas em frente ao seu computador, jogando paciência ou revendo fotos de muito tempo atrás. Ou simplesmente ficar ouvindo música em seu headphone e pensando no homem que realmente amara. E ainda amava naquele momento. Ela sabia que tivera sido amada por ele, mas o que importa??? Ele se fora de sua vida, assim como todos os outros, sem se importar com o tamanho do buraco que deixaria em seu coração... Deixa para lá. Não valeria a pena pensar nisto neste momento. As lágrimas já quase caiam, quando resolveu olhar para mar e simplesmente deixar as imagens vistas passar pelos seus olhos, sem fixar pensamento algum em sua mente. Mas de vez em quando pensava em seu passado, em seu futuro... Seria realmente esta a sua vida??? Viver lembrando-se do que já foi e sonhando com o que viria? Quando esta situação mudaria, meu Deus? Ela agarrara com unhas e dentes a nova oportunidade que lhe fora dada de estudar novamente. Ela tinha voltado a estudar há pouco tempo, e decidida a ser a melhor, usava esta chance para ter um futuro com que sempre sonhou. Ela poderia fazer as viagens que nunca pudera, poderia despertar nas pessoas que passaram em sua vida um arrependimento por ter deixado-a partir. Claro que isto parecia uma besteira aos olhos dos outros, mas para ela aquilo era importante.
Então naquele exato momento parecia ter despertado nela alguma coisa diferente. Uma sensação de a vida dela iria mudar de uma maneira significativa. Uma onda de esperança parecia ter invadido o seu corpo, e ela quase podia sentir esta força dentro dela. As lágrimas correram-lhe a face, alcançando rapidamente o seu queixo. Mas agora parecia ter algo diferente em seu pranto, não era mais totalmente dolorido como quando ela chorara quase todos os dias atrás. Seu choro ao mesmo tempo parecia ter um bálsamo que reconfortava a sua alma, e a fazia transpirar esperanças. Ela tirou um espelho de sua bolsa e começou a olhar-se diante dele e pela primeira vez nos últimos meses conseguia enxergar à sua frente a imagem de uma mulher feliz. Ou pelo menos, que o seria em pouco tempo. Em um súbito momento o sentimento de dor havia se transformado em um nirvana. Em sua cabeça fervilhavam idéias, pensamentos, e a esperança estava se renovando dentro de si a cada minuto que passava. Assim, sem mais nem menos. Como se o dedo de Deus tivesse tocado o seu coração e tivesse curado dele todas as chagas.
Ao chegar ao seu destino Malu desceu do ônibus bem diferente do que tinha entrado. Perecia até que havia entrado em uma espécie de “cabine mágica” que a mudara essencialmente. “Que bom sentir isto”, pensou ela. “Dentro de mim algo diz que minha vida será diferente, que eu realmente encontrarei a felicidade que eu tanto busco. E muito em breve”. Ela resolveu ficar ali um pouco, sentada no banco do ponto de ônibus, sentindo a brisa marinha tocar a sua face suavemente, enquanto fechava seus olhos e deixava a sensação de renovação dominar-lhe por inteira.
Cinco minutos depois, uma multidão havia se aglomerado naquela área. Um motorista invadiu a calçada atropelando uma mulher de 24 anos, que morreu no local. As pessoas estavam curiosas e ao mesmo tempo intrigadas, com a expressão de alegria que o seu rosto apresentava, como se tivesse morrido sem sentir dor alguma naquele momento. Como se estivesse feliz. O bairro parou para admirar Malu, a pobre mulher que morreu planejando o seu dia de amanhã.