sábado, 13 de fevereiro de 2016

Âmago

Desejo o chão firme, mas falta-me solo para meus pés descalços
E o vento sopra mais forte nos momentos em que mais sinto frio.
Sigo tentando achar um sentido para justificar os percalços,
Encontrar uma resposta para um coração que se fez vazio.
Imergindo solitária e triste na imensidão do nada,
Que pode ser encontrado no tudo que de mim se acerca.
Meus olhos que derramam, minha alma que se fada
A viver nesta clausura onde eu permito que eu me perca.
Em um jazigo interior enterram-se toda esperança e sonho
Que dentro de meu até então crente coração eu trazia.
Cônscia de ter usado de todas as armas de que disponho
Para que pudesse preservar em mim a pureza e a euforia.
Dentro do meu próprio universo existem dores e vazios
Que inquietam-me a cabeça e revolvem-me o estômago.
Grito silenciosa cantos desolados, descrentes e sombrios
Que só conseguem existir na complexidade do meu âmago.