sexta-feira, 28 de novembro de 2014

Infinito para dentro

As vezes não sei definir
A dor que carrego dentro.
Embora eu possa sentir
A implosão que vai ao centro
De um coração mudo, aflito,
Que não consegue verbalizar
Toda a dor, todo o conflito
Que, de forma abrupta, vem tomar
Toda a minha essência.
E esta aparente ausência
De sentimentos nada mais é
Do que a incapacidade de um ser
Que tudo o que mais quer
É, quem sabe, (re)aprender
A mensurar o que carrega em si.
Mesmo com tudo o que vi
E vivi, não sei expressar
O que acontece no meu interior.
Como definir esta dor,
Senão como uma implosão
Que toma meu coração,
Como um infinito para dentro?
E mesmo o ser mais atento
Não vai conseguir expressar
O que eu não consigo verbalizar
-Apenas sentir-
O meu coração implodir
Até não mais se poder diminuir.
Tão diminuto ele se torna,
Em sua essência, sua forma
depois de mil vezes se reduzir
Dentro do que carrega em si.